Tuesday, 6 July 2010

Minha máquina fotográfica nao fala português




Comprei uma máquina fotográfica maravilhosa, apesar de baratinha.

É uma Fujifilm, 12 Megapixel, JV-100.

Acho que ela fala basco, já que ela e eu nem sempre nos entendemos...

Ela é uma máquina muito voluntariosa: quando ela quer tirar a foto, ela tira.

Quando ela nao quer, mesmo que eu aperte o botaozinho com toda a força que tenho, ela nao tira a danada da foto!

Aí, passados uns 2 segundos, ela tira a foto, de livre e espontânea vontade, que nao queria tirar antes com seu mestre e senhor.

Além desse comportamento atípico, a minha Fuji também me inunda com mensagens que nao compreendo. Acho que sao mensagens traduzidas pelos japoneses diretamente para o idioma basco (que é bem complicado).

É curioso que as palavras se parecem muito com o inglês (¨blink¨, ¨landscape¨, etc.), além de um incontável número de sinais cabalísticos (sinais que parecem um sol, ou um asterisco, pequenas maos com um ¨xis¨ em cima, setas, sinais de mais, avisos em vermelho).

Admito que minha Fuji esteja querendo me dizer algo mas jamais saberei o que possa ser esse algo.

No dia em que eu descobrir esse mistério, talvez ¨atinja o nirvana fotográfico¨ e entenda, finalmente, porque ela nao tira as fotos quando eu aperto o botaozinho dela mas tira as fotos, assim que eu deixo de fazer uma força hercúlea no tal botaozinho.

Mesmo com esse pequeno desentendimento passageiro entre a Fuji e eu, as fotos que ela tira (e as que eu tiro com a ajuda dela) ficam ótimas!!!

Entao, nao tenho muito o que reclamar.

Um aspecto deveras surpreendente da Fuji é que ela tira fotos sem que eu veja o que está sendo tirado. O sol me impede de ver, pela telinha LCD, o que está à minha frente.

Antes, eu me esforçava muito para ver o que estava tirando.

Mas agora descobri que minha maquininha japonesa-basca ¨knows better¨ e posso confiar nela. Hoje, por exemplo, que tirei 170 fotos do Guggenheim (por fora, já que é proibido fotografar lá dentro), devo ter visto o que estava clicando em, no máximo, umas 20 fotos. O resto, todo o resto, foi apontar e atirar, sem ver quem, o que, estava na frente, ou do lado.

É muito confortável ser fotógrafo assim.

Na hora de passar as fotos para o computador, vejo o que está lá: se for um pé, um ombro, ou um cotovelo isolados, foi erro da máquina.

Se foi uma bela paisagem, ou um corpo (ou parte dele) exuberante de uma basca, foi a virtude do fotógrafo.

Acho que vou adiar um pouco mais a matrícula em um curso de tirar fotografias.

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