Hoje à noite parto para Barcelona.
Vou sozinho, sem meu filho, que fica em Bilbao para descansar um pouco do pai.
Claro, duas pessoas convivendo 24 horas, depois de anos de distância, criam pequenos conflitos.
Falo demais.
Douglas fala de menos.
Pergunto demais.
Douglas responde de menos.
Acordo falando.
Douglas acorda calado.
É evidente que isso nao é, em si, um problema maior.
Mas poe 7 dias desse convívio diferente junto e as coisas podem, às vezes, representar um pequeno peso para uma das partes.
Assim, considerando-se que de 17 a 23 de julho teremos, obrigatoriamente, de conviver em Berlim, pois compramos passagem de aviao, Douglas e eu, para irmos visitar aquela cidade, em companhia de 2 amigas alemas que lá nos encontrarao, achei prudente descansar um pouco de minha parlante (e chata, pode até ser) companhia.
Assim, quando eu chegar de volta a Bilbao no dia 16, espero encontrar um filho disposto a, minimamente, suportar as perguntas constantes sobre o País Basco, sobre a viagem que ele fez ano passado a 11 países da África, sobre a viagem dele recente a Nova Iorque ¨couch surfing¨, além de Victoria Island no Canadá e Los Angeles e Berkeley nos Estados Unidos.
Descobri, por exemplo, outro dia que Douglas teve tifo na África.
Ele teve tifo calado.
Ninguém soube lá no Brasil desse fato.
Tivesse eu tido tifo, todos saberiam, pois eu publicaria imediatamente em meu blog: ESTOU COM TIFO, GENTE, ESTOU COM TIFO.
É MUITO PROVÁVEL QUE MEU BLOG SOFRA ALGUMA DISCONTINUIDADE MOMENTÂNEA, POIS ESTOU COM TIFO!!!
Douglas teve tifo, nao sei em qual dos 11 países que visitou.
Passou uma semana em uma hospedagem de freiras, que nao gostaram nada do paciente com tifo, que ficou mais do que os 3 dias que elas normalmente deixam os hóspedes ficarem. E todos os dias (depois dos 3 primeiros dias de praxe), ele tinha de pedir à freira-mor, se podia ficar mais um dia, porque estava meio morto-vivo, ¨tifando¨ pelos corredores da pensao-hospedagem.
Soube também, ante-ontem, que em um país muçulmano que visitou (acho que foi o Niger, ou talvez Borquina-Faso -- acho que é esse, mais ou menos, o nome do país e nao tenho de checar no Google; sei que é o país que costumava se chamar ¨Upper Volta¨ e que mudou de nome, como nós mudamos de camisa...!) teve um quase enorme problema em uma mesquita.
Digo ¨quase¨, sem saber ao certo quao quase foi esse quase.
Explico-me, espero...
Nos países em que Douglas esteve (vou citar alguns que me lembro: Malawi, Burquina-Faso, Niger, Mauritânia, Mali -- ou serao ¨Mali¨ e ¨Malawi¨ a mesma coisa? Pode ser...) muitas vezes nao há ônibus, nem trem, nem bonde, para levar os turistas aos lugares.
Entao, os turistas alugam um carro, ou um jipe, ou um elefante, ou um camelo, ou um tigre siberiano, ou um panda gigante, ou uma avestruz, e pagam o aluguel do veículo, a gasolina, motorista, e saem ¨por aí¨, na esperança de chegarem vivos ao destino.
Pois bem, esse grupo de 5 pessoas, inclusive o Douglas, chegaram a uma mesquita.
Nao muçulmanos nao podem entrar em mesquitas.
Dois dos passageiros do camelo disponível (ou do jipe) resolveram visitar a tal mesquita.
Pagaram a alguns rapazes, para entrarem escondidos do ima responsável.
Douglas e o outro passageiro disseram, textualmente: ¨Tamos fora, mermao!¨ ¨Se nós quisermos visitar mesquita, vou a Nova Iguaçu, que lá tenho um conhecido que sabe de um jeito de visitar uma mesquita manera, onde a barra é limpíssima¨
E Douglas e esse outro passageiro do trem da alegria africana, tomaram outro rumo, afastaram-se dos dois pretensos visitantes ilegais.
Pois bem, o dono da mesquita descobriu, quase lincharam os outros carinhas e nao sabemos se Douglas e o outro turista, que pertenciam ao mesmo grupo, nao receberiam um ou dois beliscoes, nesse processo punitivo...
Embora eu quisesse continuar a conversa, o apartamento ¨acordou¨ e estao querendo me mostrar mais do País Basco.
Vou ter, portanto, de parar por aqui.
Tinha mais historinha para contar.
Fica para Barcelona.
Ou para Berlim.
Agur, como dizem os bascos, isto é, até logo.
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